2013/09/20

Conspiradores?



Sou maçom e não integro nenhum conluio para controlar o poder político, ou outro poder qualquer; nem conheço quem, na maçonaria, integre maquinações desse tipo. Mas se viesse a tomar conhecimento de tais práticas por parte de algum irmão ou grupo de irmãos, denunciava essas situações. Denunciava-as dentro da Obediência, sem prejuízo de o fazer publicamente caso daí não resultasse qualquer acção correctiva.
A isso estou duplamente obrigado: enquanto cidadão, obrigado ao respeito pelas leis da República Portuguesa, e enquanto maçom obrigado a respeitar os regulamentos da maçonaria de que faço parte e que estipulam:

Artº 3 «A Maçonaria tem por fim o aperfeiçoamento da Humanidade através da elevação moral e espiritual do indivíduo. Não aceita dogmas e combate todas as formas de opressão sobre o Homem, luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a ignorância, combate a corrupção e enaltece o mérito

Artº 8 «Os Maçons, recusando-se a assumir nessa qualidade quaisquer posições de natureza partidária, integram-se no espírito das Constituições de Anderson e respeitam as leis e as autoridades legítimas do país onde vivem e livremente reúnem.

2013/09/16

A Grande Conspiradela






É notório que temos uma obsessão profunda para procurar o sentido das coisas. Tudo tem de fazer sentido dentro da nossa capacidade de compreensão. Ora, no mundo complexo em que vivemos, e que frequentemente nos desafia com acontecimentos que aparentemente não fazem sentido, as superstições e as teorias da conspiração surgem como formas de explicar esses acontecimentos, de encontrar o significado que necessitamos, habitualmente de forma simples.

No mundo tecnológico de hoje, onde a Ciência prova que muitas das coisas antigamente consideradas sobrenaturais, são afinal perfeitamente naturais, a superstição tem vindo a perder importância; mas a nossa obsessão por significados continua exigente, ao ponto de substituir a superstição por teorias de conspiração. Assim é com o fenómeno OVNI e com as sociedades secretas, mas existem teorias de conspiração de todos os tipos, desde alegações de que Hitler ou Elvis Presley não morreram até a ida à Lua ter sido uma farsa, passando pelas mirabolantes teorias sobre 11 de Setembro.

Em todas as teorias de conspiração verificamos o mesmo padrão: partem de um pressuposto real, o que dá alguma plausibilidade à história, envolvem um cronograma sinistro que despoleta o interesse geral: quem não está interessado numa história sobre o Armagedão, a destruição da humanidade? E, por último, mas não menos importante, possuem lacunas que podem ser facilmente preenchidas, ainda que não possam ser verificadas em caso de contestação da teoria; sendo praticamente impossível contar com provas incontestáveis de que uma teoria de conspiração é falsa, quando as evidências são refutadas ou ignoradas simplesmente com a alegação de que são fabricadas e que fazem parte do plano de desinformação para pensarmos que a conspiração não é real.

A teoria da conspiração, tal como a superstição, procura explicar os fenómenos do mundo de uma forma simples, ainda que algumas se afigurem extremamente complexas. Porém, a chave da teoria da conspiração não é sua complexidade mas sim o facto de possuir sentido para o público leigo, pois é fácil para alguém que não entenda de Física aceitar que uma bandeira não tremularia no vácuo do espaço e, portanto, a bandeira americana supostamente tremulando na Lua seria uma prova de que a viagem foi forjada. Eis uma explicação simples, que parece fazer sentido.

Para quem não acredita, pode parecer estranho, mas para a maioria das pessoas é mais apelativo imaginar que um corrector da Bolsa tenha sido manipulado para matar diversas pessoas no estádio de Futebol do que simplesmente aceitar que se tratou de um homem, enlouquecido por um qualquer motivo pessoal ou profissional, que resolveu disparar contra a multidão.

O mundo é demasiado imprevisível para ter o sentido que queremos e, por vezes, também é demasiado decepcionante. E nós, humanos, temos dificuldade em aceitar um mundo onde centenas de vítimas morrem num terramoto que não discrimina justos e injustos, inocentes e pecadores. É difícil admitir que não houve um grande plano maligno ou um teste de uma arma secreta, e que foi simplesmente uma tragédia imprevisível. Assim, atribuir tais coisas a conspirações ajuda-nos não só a encontrar um sentido, mas também a aceitar as vicissitudes de um mundo que por vezes é difícil de compreender à luz das nossas noções éticas e morais, e outras construções culturais que nada têm a ver com a Natureza e os seus fenómenos.

É importante termos consciência da facilidade com que nos enganamos a nós próprios, pois embora algumas das teorias das conspirações possam ser inofensivas, outras podem prejudicar gravemente a vida, a nossa e/ou a de outrem. Embora, muito frequentemente, não representem mais do que uma imensa perda de tempo.

Acreditar em teorias da conspiração é um erro. Podemos, e devemos, aceitar a existência de conspirações, quando os factos nos são facultados ou a eles temos acesso; mas factos verificáveis e comprováveis, submetidos ao contraditório do teste analítico, racional, sistemático, e validados por essa via. Quando não, acreditar em teorias que não apresentam fundamentos/provas verificáveis constituirá, em última análise, uma participação – produzindo apenas ruído –, nessas hipotéticas conspirações que pretensamente estamos a tentar denunciar.

Aqui se encaixam as patetices sobre a conspiração das sociedades secretas para governar o mundo, ou um qualquer país. Acreditar nestas teorias poderá ser útil àqueles que isoladamente, ou em lobby, organizam esquemas de apropriação dos bens alheios, públicos ou privados, protegidos nessa nuvem difusa e imensa que generaliza e identifica erradamente os alvos, agigantando-os na sua gigantesca quimera conspiratória.

Usem a Razão, não a Imaginação.

sobre conspirações, aqui

2013/09/07

Acerca o que se diz e se escreve sobre a Maçonaria




Conteúdo retirado daqui: http://www.maconariaportugal.com/component/content/frontpage

2013/06/07

Reflexões de um Eterno Aprendiz



Reflexões de um Eterno Aprendiz

Definir a Maçon.˙. para lá dos manuais
Para além dos catecismos habituais
Não foi, não é fácil, nem será jamais
É que a Maçon.˙. não é isto ou aquilo
Ela vive-se, não se reduz a coisas textuais
Livros, segredos e outras coisas tais.

Saibamos que essa natureza
Vivida na obra da Arte Real
Em que a dúvida é feita certeza
Sentida e vivida de modo desigual
Pois sentimentos e provas pessoais
Vêm do sentir e da visão individual.

Maçonaria  é a forma do equilíbrio
Entre ciência e espiritualidade
Método de entender a harmonia
Das coisas, na busca da Verdade
Tudo isso e mais, eis quanto vale:
É a práctica de um Amor Universal.

Mais do que a evocação do Lema
Justiça,  Verdade,  Honra, Progresso
Ou a repetição da Divisa da Ord:.
Liberdade, Igualdade, Fraternidade
Profusamente praticados no ritual
A Maçon.˙. é bem mais do que isso
Sendo tudo isso, e muito mais, afinal.

Eis o terreno difícil a explorar
A longa caminhada a percorrer
Onde não há um guru infalível
Nem um único dono da Verdade
Nem dogma ou modelo indefectível
Tampouco uma singular realidade.

Escolas e práticas profanas
Não ensinam que quando subo
Trabalhando no plural
Sobe toda a humanidade
E sob essa Luz da Verdade
Ajudo a elevar um igual.

Não buscamos reconhecimento
Nem fama entre os demais
Após muito estudo, erros e acertos
Progredimos, subimos, só então
Aprendemos a ser mais um
Apenas mais um, na multidão.

Mas há os que se julgam superiores
Desconsiderando e atacando
Fingindo-se vítimas de horrores
Porque caminhar para a Verdade
Tem esse grande embaraço, afinal
Contra nós atiça muita verrina do Mal.

Se posso transformar a vida
A minha, a tua, a do vizinho
Sempre nisso devo instar
Dizendo: - ali está o caminho!
Dessa caminhada aprendida
Jamais negando esse ensinar.

Se um pobre esmola, devo dar
Poderá, sei lá, uma fome evitar
Ou a queda de uma criança
Nas malhas da perversidade
Sem poder fazer escolha
Como da árvore, cai a folha.

Cada um é um Mestre potencial
Que se pode revelar pela Arte Real
Tu, Mestre: - não esqueças a humildade
Ou serás contigo próprio desleal
Ao pensares que és sumidade
Não és mais que um erro magistral.

H.

2013/02/22

Dia Internacional do Maçom

Celebra-se hoje, dia 22 de Fevereiro.


2013/02/03

Abraço



Contra todas as fórmulas do mal,
Contra tudo que torna o homem precário.
Se és maçon,
Sou mais que maçon – sou templário.
Esqueço-te santo
Deslembro teu indefinido encanto.
Meu irmão, dou-te o abraço fraternal.
F. Pessoa

2013/01/06

Convite



Meu caro, venho por este meio convidar-te a integrar uma instituição de que faço parte. Trata-se de um grupo de homens que trabalham para um objetivo comum sob o signo da Fraternidade e da Tolerância. Homens que repudiam a injustiça, a desonestidade, a corrupção, o obscurantismo e a ignorância. O que achas? Estarias disponível para integrar um grupo assim?

Imagino a tua perplexidade em relação ao convite que te faço nesta mensagem. Afinal, não dispor de nenhuma informação sobre a instituição para a qual te convido deve-te causar muita estranheza. Por isso escrevo estas linhas. Elas não irão revelar mistérios que existam ou que imaginas existir, até porque só se aceitares o convite é que irás, pelo teu esforço, trabalho e estudo, encontrar a resposta a todas as interrogações que tens e outras que virás a ter.

E o que é, então, esta instituição?
A sociedade humana tem-se organizado, ao longo dos tempos, em grupos de interesses: religiosos, políticos, económicos, etc. Mas ao mesmo tempo que um determinado interesse, ou um conjunto deles, caracteriza um grupo, origina também antagonismos entre grupos com interesses divergentes. A História é profícua em exemplos desses conflitos. O próprio carácter religioso protagonizou embates e incoerências cruéis em nome de Deus, por exemplo.

Ora, o que pensas de poder reunir homens que professam as mais variadas religiões, mas que aceitam, por comum acordo, denominar a entidade suprema como sendo o Grande Arquitecto do Universo e que aceitem a partir deste ponto comum praticar a tolerância e nunca tentar impor a outrem a sua religião? Ou até mesmo homens que não professam religião alguma mas que não se importem que outros o façam? Já teremos aí dirimido um factor histórico de divisão entre os homens, não concordas?!

Outro aspecto que te apresento para análise é a própria composição de um grupo. Normalmente os grupos são compostos por uma determinada característica que estabelece a afinidade entre os seus componentes. Este de que te falo tem a proposta de multidisciplinaridade. Sem que haja predominância de uma área do conhecimento sobre outras procuramos pessoas de qualquer profissão: médicos, marinheiros, engenheiros, pedreiros, professores, advogados, empresários, comerciantes, operários, etc. Enfim, a tónica é que a possibilidade de troca entre pessoas com diferentes conhecimentos constitua um factor de impulso para o aperfeiçoamento individual e colectivo.

Esta aprendizagem é norteada apenas pelo limites do Livre Arbítrio, ou seja de uma maturidade instalada e instrumentalizada para estar permanentemente à disposição de actuar em prol dos avanços e progressos da humanidade, do combate ao obscurantismo, ao autoritarismo, na defesa dos direitos universais individuais e colectivos, e na incessante busca de justiça.

Nesta altura já deves estar a pensar quão difícil é juntar um grupo de homens que busquem estes princípios e que não estejam diferenciados e divididos na sua forma de actuação. Pois bem, é necessário estabelecer aí um novo acordo. Já ouviste alguma citação do tipo “sou totalmente contrário ao que pensas, mas defenderei com a minha vida o direito que tens de pensar assim”? Pois este é o acordo! Independente da concepção política, económica, religiosa ou filosófica de um membro do grupo, este respeita o direito do outro pensar de forma diferente. Posso imaginar que o meu igual esteja enganado, mas parto sempre do pressuposto de que ele está convicto e que ao defender o que pensa o faz honestamente. Portanto só posso pretender uma mudança pela persuasão e para isso deverei encontrar a forma e os argumentos adequados.

Vês, assim é possível fazer funcionar com harmonia um grupo formado por homens que pertençam a partidos políticos diferentes, a diferentes clubes de futebol, a igrejas diferentes, etc. Outra característica que deves conhecer é a de que estes homens se tratam com fraternidade e apoiam-se mutuamente para atingir os seus objectivos. Nada mais natural já que a luta de um é a luta de todos, e em prol da sociedade. Mas, atenção, é preciso deixar claro que este auxílio mútuo não se aplica a outros objectivos que não sejam comuns. Está aqui uma diferenciação transparente e definitiva com os grupos corporativos que bem conhecemos na sociedade. Através de sinais próprios estes homens identificam-se em qualquer parte do mundo, reconhecem-se como irmãos e tratam-se como tal.

Pelo que leste até aqui já podes imaginar quanto de superstições, de incorrecções, de invenções e de distorções são propagadas a respeito deste grupo. Imagina quantos interesses foram desestabilizados pela acção de homens assim, livres. Libertação de nações, movimentos abolicionistas, campanhas de instrução, entre muitas outras visando a valorização dos indivíduos, dos cidadãos, e dos direitos humanos.

Tais acções de homens livres carrearam a ira e a reacção de monarcas, governantes, igrejas e outros poderes tradicionais. Portanto, a partir da óptica dos ameaçados na perda do seu poder discricionário era preciso combater, difamar e expor ao ridículo com informações incorrectas e assustadoras que pudessem convencer a opinião pública mantendo-a atrelada ao discurso dos difamadores. Pois aos que dominam por crendice e engodo, um grupo de homens livres, corajosos, libertários e coesos representava, realmente, um sério risco.

Obviamente que um grupo de homens assim não poderia circular por aí com autocolantes ao peito, no meio a tantos obstáculos que hoje, infelizmente, ainda perduram e que noutros tempos foram muito perigosos, fatais até.

Portanto o grupo é fechado, discreto; mas não secreto. As suas acções e a identificação pública de alguns de seus componentes acontecem, normalmente, vários anos após os factos em que intervieram. Até porque o anonimato é cultivado mais como uma virtude que uma omissão ou fuga. Assim, a entrada de um novo membro é tomada por decisão dos demais que através de cuidada observação de alguém e das suas acções na sociedade, entendem convidá-lo. Ninguém bate à nossa porta a pedir entrada, pois para isso teriam de saber onde se situa a porta e, mais importante, como bater correctamente. Estes obstáculos funcionam como um mecanismo de manutenção da qualidade de recrutamento e, portanto, da manutenção da homogeneidade do grupo.

Para que analises as parcerias a que estarás submetido se aceitares este convite, e para que conheças algumas acções que nos são atribuídas posso citar: A Revolução Liberal de 1820; a Abolição da Pena de Morte em 1867; a Implantação da República em 1910. E outra acção importante que contou com a participação de elementos da nossa instituição: A Revolução de Abril de 1974.

Entre personagens públicos posso citar alguns nomes da segunda metade do século passado: os generais Norton de Matos e Humberto Delgado; o escritor Vitorino Nemésio; o cardeal Costa Nunes; o médico e filantropo Bissaya Barreto; o advogado e Provedor de Justiça José Magalhães Godinho; os autores da música e da letra do Hino Nacional, Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça, respectivamente; e o humorista Raúl Solnado, entre muitos outros notáveis ou anónimos.

No panorama internacional cito apenas alguns, dos muitos que por todo o mundo deram ou dão o seu contributo à mesma causa: Edwin Aldrin, o primeiro homem a pisar o solo lunar, Alexandre Fleming, inventor da penicilina, o pintor Marc Chagall, Churchill, Garibaldi, Simon Bolívar, Salvador Allende.

Ao contrário daquilo que muitos pensam este grupo não age institucionalmente na sociedade. Com excepção de acções filantrópicas e educativas, sempre anónimas, todas as demais acções são individuais e constituem reflexo da postura consciente e cidadã de cada membro, mesmo que outros membros do grupo estejam também a apoiá-lo.

Após esta explicação e caracterização da instituição em causa, ainda é necessário que tenhas clara uma condição definitiva e importante. Este grupo/instituição é uma sociedade de HOMENS especiais, mas HOMENS. Não é uma sociedade de SEMIDEUSES como alguns imaginam e outros acreditam. A condição humana, por mais apertada que seja a selecção, carrega contradições e imperfeições, e isto reflecte-se também nas acções individuais dentro do grupo. A humildade está em reconhecer estas deficiências e procurar um constante aperfeiçoamento capaz de superá-las para que não possam comprometer os objetivos a que a instituição se propõe.

Agora, mais esclarecido, estás predisposto para uma conversa mais profunda? Espero que sim, pois explicitei por escrito até onde me é possível, a minha visão e as minhas convicções a respeito desta instituição que integro. Deves perceber porque te faço o convite e o quanto gostaria de contar contigo nesta instituição.


Uma resposta declinando o convite será recebida com toda a naturalidade por quem cultiva o total e livre arbítrio e respeita a liberdade de escolha e decisão.

Com um abraço amigo.


(adaptado de um texto retirado da internet, indicado como de autoria anónima)