2015/03/08
2015/01/10
Maçonaria e registo de interesses
OPINIÃO
Maçonaria e registo de
interesses
Por Francisco Teixeira
Professor do ensino secundário, Doutorado em Filosofia,
Maçon
Jornal Público de 05/01/2015
O antimaçonismo da deputada do PSD Teresa Leal
Coelho é, como todos os fundamentalismos antiliberais e antidemocráticos,
disforme e ignorante e faz parte de uma longa tradição antimaçónica.
“A positividade da exposição da nudez sem véus é
pornográfica”;
“O projeto heroico da transparência – de rasgar todos os
véus, de tudo expor à luz, de expulsar toda a obscuridade – conduz à
violência”.
Byung-Chul Han, A
Sociedade da Transparência
A Maçonaria é uma ordem
iniciática que visa o aperfeiçoamento da humanidade através da elevação moral e
espiritual do indivíduo. Na medida em que é iniciática a maçonaria propõe-se,
através do rito (articulação de gestos, movimentos, símbolos e invocações), a
transformação existencial do indivíduo, transubstanciando-o. Algumas vezes
consegue-o. Demasiadas vezes não.
Mas a “transubstanciação”
existencial não é o único fito maçónico. A maçonaria também visa aperfeiçoar a
Humanidade, porque o homem não é uma ilha e porque de pouco valeria salvar-se
um só se não se pudessem salvar todos os seres humanos. Neste sentido, a
maçonaria vive num duplo ethos ou
espaço de ação e inspiração: por um lado visa a transformação individual (e não
simplesmente psicológica), por outro visa a transformação social, porque o
corpo e alma não são coisas diferentes mas duas modulações, ou variações, da
mesma substância do humano. Mas, quer num caso quer noutro, o que se visa é uma
ambição soteriológica, i.e., salvífica, do eu individual, da experiência do que
é ser humano e da humanidade no seu conjunto. Mas a maçonaria não é uma Igreja
ou um partido. Não é uma Igreja porque não tem uma doutrina dogmática,
sacramentos ou um líder espiritual, e não é um partido porque não quer governar
nem tem um programa político, embora tenha e tematize princípios meta-políticos
de justiça e ética universais.
Por sua vez, a maçonaria usa o
rito como método de ação. Mas a ação ritual maçónica é secreta. No entanto,
este secretismo, “o segredo maçónico”, não constitui um instrumento de controlo
sociológico ou organizacional, externo ou interno, muito menos um segredo
material concreto. O segredo maçónico tem a ver com a natureza da própria
experiência ritual, que exige pudor face ao olhar do não iniciado e
concentração em si mesmo e na sua experiência ritual concreta, evitando, entre
outras coisas, o desejo pornográfico e totalitário de absoluta transparência.
Para a maçonaria o que é secreto é o que não pode ser reduzido a outra dimensão
ou dimensões que não a sua dimensão originária, no caso a dimensão ritual
simbólica. Ser secreto quer dizer, na experiência ritual maçónica, ser
irredutível a outra coisa, ser esotérico, i.e., ser interior, ter origem e
fazer caminho pelo lado de dentro da experiência humana. Por isso se diz que o
segredo maçónico é inviolável ou intransmissível: porque dizendo respeito à
experiencia particular de cada maçon não pode ser reduzido à linguagem usada
pela vulgar comunicação humana (ou a outras categorizações totalizadoras e
potencialmente totalitárias), não podendo, por natureza, ser violado.
Nada de especial, portanto. O
segredo maçónico é, pois, da mesma natureza que o amor ou amizade humanas (dois
irredutíveis fundamentais da experiência humana) e só constitui uma ameaça para
aqueles que acham que toda a realidade deve ser controlada, reduzida,
visibilizada e vigiada, incluindo a realidade mais íntima da experiência
religiosa transformativa. O segredo maçónico é, então, condição essencial de
liberdade, própria e alheia, já que se pressupõe que é num reduto último de
inviolabilidade pessoal que reside o sanctum
sanctorum da liberdade em geral. É por causa desta inviolabilidade que,
desde sempre, as tiranias perseguiram a maçonaria e os maçons e a experiência religiosa
e popular exotéricas (i.e., procedendo de uma origem ou audição externas)
sempre tiveram desconfiança da maçonaria e dos seus processos de recolhimento.
A maçonaria existe, pois, num ethos eminentemente religioso, porque
transformativo e soteriológico. Mas também existe e se firma num ethos político. Esta sua dupla dimensão
constitutiva tem a ver, por um lado, com a sua origem histórica, mas, também,
com a sua natureza ontológica, que recusa os dualismos cosmológico e
antropológico. A maçonaria vive, por isso, num mundo de fronteira entre este e
o outro mundo, entre o mundo celeste e o mundo terrestre, e é essa condição de
fronteira que, por um lado, faz dela uma coisa algo estranha e, ao mesmo tempo,
antiga, em que se valoriza a ideia e a prática do “estranhamento” cosmológico,
a mais lídima forma, ou experiência, da liberdade e da recusa de todo o
reducionismo.
Tudo isto a propósito de recentes
polémicas animadas, em particular, pela deputada do PSD Teresa Leal Coelho,
propondo que os deputados e os agentes políticos eleitos “sejam obrigados a
declarar publicamente se têm ou não filiações secretas”, mas tendo em vista,
declaradamente, as filiações maçónicas e do Opus Dei. Outras restrições aos
direitos fundamentais deste mesmo tipo já tinham sido introduzidas na Lei
Orgânica n.º 4/2014, de 13 de agosto - Lei-quadro do Sistema de Informações da
República Portuguesa, pela qual os funcionários dos serviços de informações da
República são obrigados a revelar todas as suas filiações societárias, em particular
a “Filiação, participação ou desempenho de quaisquer funções em quaisquer
entidades de natureza associativa”. Também aqui, e mais uma vez, o que se visa
são os maçons e a maçonaria.
No entanto, a Constituição da
República Portuguesa é clara (no seu artigo 41º, nº 3, “Liberdade de
consciência, religião e culto”) a referir que “Ninguém pode ser perguntado por
qualquer autoridade acerca das suas convicções ou prática religiosa, salvo para
recolha de dados estatísticos não individualmente identificáveis, nem ser
prejudicado por se recusar a responder”. Temos, então, que este artigo, e
aqueles intentos similares referidos acima, são claramente contrários à CRP,
porquanto o registo obrigatório de pertença à maçonaria, ou ao Opus Dei,
constitui uma pergunta e obrigações constringentes quanto a convicções ou
práticas religiosas.
Que esta discussão esteja a ter
lugar no parlamento da República Portuguesa, potenciada por uma deputada do
PSD, é absolutamente surpreendente e perigoso. Surpreendente e perigoso por
revelar profunda ignorância sobre a natureza da maçonaria e outras organizações
iniciáticas ou religiosas e, sobretudo, por revelar tentações totalitárias à
conta de uma ideia
desviante de transparência,
passando por cima de um princípio basilar das democracias constitucionais: o
princípio da absoluta liberdade de consciência e de religião, sem
constrangimentos diretos ou indiretos.
O antimaçonismo da deputada do
PSD Teresa Leal Coelho é, como todos os fundamentalismos antiliberais e
antidemocráticos, disforme e ignorante e faz parte de uma longa tradição
antimaçónica (tão longa quanto a própria maçonaria). Quanto a isso, nada de
novo. Já o silêncio de outras pessoas e instituições, mais cultas e mais
responsáveis, auguram o pior para a liberdade dos portugueses. Pelo seu lado, a
maçonaria continuará o seu caminho como via iniciática e espiritual não
dogmática, visando a liberdade e a igualdade acima de todas as coisas, com os
olhos postos na utopia antiga de uma fraternidade universal de homens livres e
de bons costumes.
2015/01/08
da maçonaria sobre o atentado contra a revista Charlie
COMUNICADO
As
obediências signatárias condenam vigorosamente o horrível atentado cometido ontem,
dia 7 de Janeiro de 2015 em Paris, contra o Jornal Charlie Hebdo.
Os
valores fundamentais da democracia foram postos em causa e os maçons reiteram o
seu compromisso na defesa indefectível da total e absoluta liberdade de
consciência, da liberdade de expressão, em particular a liberdade de imprensa.
Perante
este crime hediondo, a Maçonaria portuguesa manifesta a sua solidariedade para
com o povo francês.
Grande
Oriente Lusitano
Grande
Loja Legal de Portugal/GLRP
Grande
Loja Feminina de Portugal
Grande
Loja Simbólica de Portugal
2014/12/17
paradoxo entre mãos
É "de esquerda" ser a favor do aborto
e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à
vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado.
Luís Fernando Veríssimo
2014/11/28
2014/11/24
tolerância e fraternidade
A complementaridade maçónica
entre tolerância e fraternidade: a tolerância consiste em aceitar que existem
imbecis entre os nossos irmãos, a fraternidade consiste em não dizer quem são.
Pierre Dac
2014/10/19
2014/10/03
sobre a Carbonária
A historiografia da temática carbonária ficou mais rica com a edição desta obra:
«Carbonários e Outros Revolucionários resulta de uma
investigação completamente inédita sobre esta temática, com uma visão geral da
Carbonária Portuguesa e uma análise do caso da Carbonária Portimonense.»
2014/03/02
2013/12/14
Religião e Espiritualidade
- Não existe apenas uma religião, mas centenas delas.
- Existe apenas uma espiritualidade.
- A religião é para os que dormem.
- A espiritualidade é para os que estão despertos.
- A religião é para os que necessitam que lhes digam o que
fazer, os que não avançam sem o guia.
- A espiritualidade é para aqueles que escutam a sua voz
interior.
- A religião não é mais do que um conjunto de dogmas.
- A espiritualidade convida a pensar em tudo, a questionar
tudo.
- A religião postula a existência do pecado original e inculca
o sentimento de culpa.
- A espiritualidade postula que com o erro também se
aprende.
- A religião não é Deus.
- A espiritualidade é tudo; o que também incluí Deus.
- A religião inventa.
- A espiritualidade encontra.
- A religião é causa de divisões.
- A espiritualidade propõe a união.
- A religião segue os preceitos de um livro dito sagrado.
- A espiritualidade procura o sagrado em todos os livros.
- A religião prospera e alimenta-se dos medos.
- A espiritualidade alimenta-se da confiança.
- A religião é um pensamento vivo.
- A espiritualidade consiste em viver em consciência.
- A religião incide sobre o Fazer.
- A espiritualidade incide sobre o Ser.
- Religião é adoração.
- Espiritualidade é meditação.
- A religião propõe-nos sonhar com a glória num paraíso
celestial.
- A espiritualidade propõe-nos viver a glória e o paraíso
aqui e agora.
- A religião fecha a nossa mente.
- A espiritualidade liberta a nossa consciência.
Se as religiões defendem a Paz porque é que não conseguem
viver em Paz?
2013/11/29
António Arnaut disse
“Chegámos a este ponto mais por culpa dos socialistas, dos social-democratas e democratas-cristãos do que propriamente dos neoliberais”, acusou o ex-grão-mestre, que denunciou “os que passaram para o neoliberalismo, que se venderam”, como aconteceu os antigos governantes Tony Blair e Gerhard Schroeder, “que hoje são administradores de grandes empresas”.
Artigo completo aqui
2013/11/24
Reflexões
«O nosso problema é que nos tornámos
todos emissores de verdades. A cacofonia atingiu coisas inaceitáveis, com uma
incapacidade absoluta de distinguir o essencial do acessório. E isso não é só
culpa dos meios de comunicação social. É culpa dos políticos. Eles são os
grandes emissores. Se tivessem capacidade de distinguir o essencial do
acessório não introduziriam tanto ruído, que depois é acompanhado pela
comunicação social.» “Sobre Portugal” -
Sobrinho Simões - entrevista em 2012
A ingenuidade, a aversão à dúvida, a temeridade no
contradizer, a preguiça na busca pessoal, a fixação nos aspectos acessórios ou
parciais, tudo isto e coisas semelhantes sempre impediram o enlace entre o entendimento
humano e a natureza das coisas e remeteram o primeiro para conceitos vãos alicerçados
em repetitivas e erráticas experiências ilusórias sobre a segunda.
Chegámos onde chegámos porque convertemos a opinião em
esclarecimento, e a natureza em mero objecto. Convertemos o mito (assim
qualifico a opinião irreflectida), em esclarecimento. E este esclarecimento
comporta-se com as coisas como o ditador se comporta com os homens, só os
conhece na medida em que pretende manipulá-los. A cultura contemporânea também
não ajuda, pois confere a tudo um ar de semelhança. A televisão, o cinema, os
jornais, constituem um sistema coerente de uniformização do Mundo.
Ora, a superioridade do Homem está no saber, porque o
saber possui valores que nem os mais poderosos podem deter em exclusivo ou sobre
as quais consigam impor a sua vontade. Mas para saber é necessário compreender,
entender as coisas. É esse entendimento das coisas o vencedor da superstição e
o percutor da libertação. O saber não conhece barreiras, nem sobre a
escravização do indivíduo nem na condescendência com os donos do mundo.
Uma das lições que o nazismo nos ensinou é a de como é
estúpido ser inteligente. Quantos não foram os argumentos bem fundamentados com
que os judeus negaram as hipóteses de Hitler chegar ao poder?! E os “inteligentes”,
que postularam a impossibilidade do Fascismo vingar no Ocidente, esses
inteligentes que sempre facilitaram as coisas aos bárbaros?! São, pois, os
juízos “bem informados e perspicazes”, geradores de prognósticos baseados em estatísticas
e na experiência (empirismo versus razão), e de declarações que frequentemente começam
com as palavras “ Ah… disso percebo eu, estou informado”, declarações de
convicção (testemunhos de fé), conclusivas e sólidas, são esses juízos que são
falsos. Hitler era contra o espírito e anti-humano. Mas existe um outro espírito
que é também anti-humano, e reconhece-se pela sua proclamada superioridade “bem
informada”. Estamos rodeados de tais espíritos.
A transformação da inteligência em estupidez é um fenómeno
recorrente na História. Ser razoável significa que é imperioso respeitar a
equivalência entre dar e tomar. Eis uma concepção da razão elaborada com base
na troca, o pilar mais importante do mundo hodierno. Nesta perspectiva os fins
só devem ser alcançados através da mediação, ou seja, através do mercado,
graças à vantagem que o poder alcança praticando a regra do jogo: concessões em
troca de concessões. Mas logo que o poder deixa de obedecer à regra do jogo e
salta para a apropriação imediata, a inteligência é ultrapassada, atropelada, e
em tal cenário o meio que sustenta a inteligência tradicional, a discussão,
desaparece. Eis porque o jogo foi instituído como mediação universal, uma
mediação que obriga as forças em confronto. No seu cerne, as relações entre
povos ou grupos distintos são relações de contingência: a contingência entre alguém
que detém algo que outrem necessita - assim o afirmava Agostinho da Silva. Mas
este modelo também acarreia a mais gritante injustiça social. Eis o paradoxo da
“estupidez da inteligência”.
Os homens são amistosos quando desejam alguma coisa
dos mais fortes, mas brutais quando o solicitante é mais fraco do que eles. Tal
é a chave para penetrar na essência do indivíduo em sociedade.
A conclusão de que o terror e a civilização são inseparáveis
- conclusão tirada pelos conservadores -, é fundamentada. O que poderia levar
os homens a desenvolver-se, de modo a tornarem-se capazes de elaborar
positivamente estímulos complicados, se não sua própria evolução permeada de
esforços e condicionada pela resistência externa? Primeiro, essa resistência
motivadora encarna no pai, depois numa multiplicidade de indivíduos: o
professor, o superior hierárquico, o cliente, o concorrente, os representantes
dos poderes sociais e estatais; e é a brutalidade da acção desses inúmeros
indivíduos sobre cada indivíduo que estimula a espontaneidade deste.
A possibilidade de temperar a intransigência, de
substituir por reclusão os castigos sangrentos através dos quais a humanidade
foi domada ao longo dos milénios, tudo isso parece um sonho. A coerção dissimulada
é impotente. Foi sob o signo do carrasco que se realizou a evolução da cultura;
negá-lo significa esbofetear a ciência e a lógica. Não se pode abolir o terror
e conservar a civilização; eliminar o primeiro implica a dissolução da segunda.
Os perigos residem nas extrapolações que daqui se podem construir: da adoração
da barbárie nazi à busca de refúgio nos círculos do inferno.
O destino dos escravos da antiguidade foi o destino de
todas as vítimas até aos modernos povos colonizados. A libertação do indivíduo
europeu realizou-se em ligação com uma transformação geral da cultura que
aprofundava cada vez mais a divisão à medida que diminuía a coerção física. O
corpo explorado devia representar para os inferiores o que é mau, e o espírito,
para o qual os outros (superiores) tinham o ócio necessário, devia representar
o supremo bem. Este processo possibilitou à Europa realizar as suas mais
sublimes criações culturais, mas o pressentimento do logro, que desde o início
se foi revelando, reforçava ao mesmo tempo essa obscena maldade que é o
amor-ódio pelo corpo, que permeia a mentalidade das massas ao longo dos séculos
e que encontrou na linguagem de Lutero a sua mais autêntica expressão. Na
relação do indivíduo com o corpo, o seu e o de outrem, a irracionalidade e a
injustiça da dominação reaparecem como crueldade, que está tão afastada de uma
relação compreensiva e de uma reflexão feliz, quanto a opressão em relação à
liberdade.
O Número de Ouro
A designação adoptada para este
número, f (Phi
maiúsculo), é a inicial do nome de Fídias que foi escultor e arquitecto
encarregado da construção do Pártenon, em Atenas.
A história deste enigmático número
perde-se na antiguidade. No Egipto as pirâmides de Gizé foram construídas tendo
em conta a razão áurea : A razão entre a altura de um face e metade do lado da
base da grande pirâmide é igual ao número de ouro. O Papiro de Rhind (Egípcio)
refere-se a uma «razão sagrada» que se crê ser o número de ouro. Esta razão ou
secção áurea surge em muitas estátuas da antiguidade .
Construído muitas centenas de anos
depois( entre 447 e 433 a. C.), o Partenon Grego, templo representativo do
século de Péricles contém a razão de Ouro no rectângulo que contêm a fachada
(Largura / Altura), o que revela a preocupação de realizar uma obra bela e
harmoniosa. O escultor e arquitecto encarregado da construção deste templo foi
Fídias. A designação adoptada para o número de ouro é a inicial do nome deste
arquitecto - a letra grega f (Phi maiúsculo).
No fim da Idade Média havia duas
escolas matemáticas: uma, a escola da igreja e universidade, voltada para
um âmbito mais teórico e exaustivo e outra com uma finalidade mais prática e
objectiva, a escola do comércio e dos mercadores à qual pertencia Fibonacci. A contribuição de Fibonacci para o
número de ouro está relacionada com a solução do seu problema dos coelhos
publicado no seu livro Liber Abaci, a sequência de números de Fibonacci.
É que as sucessivas razões entre um número e o que o antecede vão-se
aproximando do número de ouro. Outro matemático que contribuiu para o estudo e
divulgação do número de ouro foi Pacioli. Uma curiosidade deste matemático é
que foi o primeiro a ter um retrato autêntico. Publicou em 1509 uma edição que
teve pouco sucesso de Euclides e um trabalho com o título De Divina
Proportione. Este trabalho dizia respeito a polígonos regulares e sólidos e
a razão de ouro.
Não pode ser
deixada de referir a contribuição de Leonardo Da Vinci (1452-1519). A
excelência dos seus desenhos revela os seus conhecimentos matemáticos bem como
a utilização da razão áurea como garante de uma perfeição, beleza e harmonia
únicas. É lembrado como matemático apesar da sua mente irrequieta não se
concentrar na aritmética, álgebra ou geometria o tempo suficiente para fazer
uma contribuição significativa. Representa bem o homem tipo da renascença que
fazia de tudo um pouco sem se fixar em nada. Leonardo era um génio de
pensamento original que usou exaustivamente os seus conhecimentos de
matemática, nomeadamente o número de ouro, nas suas obras de arte. Um exemplo é
a tradicional representação do homem em forma de estrela de cinco pontas de
Leonardo, que foi baseada nos pentágonos, estrelado e regular, inscritos na
circunferência.
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