2015/03/29

Da Maçonaria na Revolução Francesa à Revolução Francesa na Maçonaria



dos sans-culotte aos sem-cabeça
Da Maçonaria na Revolução Francesa

à Revolução Francesa na Maçonaria

Sobre a relação da Maçonaria com a Revolução Francesa são muitos os absurdos publicados, quer em obras consideradas idóneas e de referência historiográfica quer em múltiplos sítios na Internet. No fundo, tudo não passa de uma lenda que imputa aos maçons a autoria da Revolução. Lenda nascida em 1792 sob a pena do Abade Lefranc, popularizada em 1797 pelo Abade Barruel e continuada no século XX por Augustin Cochin entre outros, e que coloca em evidência o suposto grande número de revolucionários maçons e a importância do simbolismo maçónico na iconografia revolucionária. O despautério propagou-se e multiplicou-se até aos nossos dias, encontrando eco em várias formas e suportes de informação, mesmo entre maçons, eis alguns deles:

«A maçonaria teve influência decisiva em grandes acontecimentos mundiais, tais como a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos. Tem sido relevante, desde a Revolução Francesa em diante, a participação da Maçonaria em levantes, sedições, revoluções e guerras separatistas…»  

«Em 1789 , de todos os movimentos libertários, foi na Revolução Francesa que a Maçonaria teve uma participação mais forte, e que resultou no massacre de milhares de pessoas e na anulação do conceito de religião, quando a França “aboliu” a existência de Deus e entronizou em seu lugar uma prostituta como deusa “Razão”; passando à perseguição dos religiosos e à destruição de todos os exemplares das Escrituras Sagradas, o que resultou num caos e nas trevas morais.»

«A história da França desde a Revolução Francesa permite uma ilustração impressionante do que vimos ser o mot d’ordre das forças naturalistas ou anti-sobrenaturalistas – favorecer durante algum tempo uma Potência Protestante a fim de arruinar uma Potência Católica. Na obra maçónica As Constituições da Maçonaria ou Ahiman Rezon, publicada pela Grande Loja da Irlanda em 1858, consta que Frederico “O Grande” da Prússia foi iniciado em 1738 e que em 1761 pediu ao seu representante que convocasse um Grande Consistório de Príncipes do Segredo Real em Paris, a fim de dar uma patente ao Irmão Stephen Morin para que apresentasse aquele sistema ao mundo. Em 1762, Frederico, Rei da Prússia, foi proclamado Grande Inspector-geral Soberano, 33º grau, para ambos os hemisférios. Essas datas são mencionadas porque Frederico, usou toda sua influência na Maçonaria para instigar a preparação da Revolução e enfraquecer a França. Além disso, ele fez tudo em seu poder para separar a França da Áustria e desfazer os efeitos benéficos causados pelo casamento de Maria Antonieta com o futuro rei, Luís XVI, em 1770.»

Como pano de fundo para este devaneio, a imensa tapeçaria fantástica urdida pelos assustados e intolerantes religiosos, de que o jesuíta Barruel é apenas um de vários exemplos; ele, que afirmou na sua obraMémoires pour servir à l'histoire du Jacobinisme[Memórias e Contributos para a História do Jacobinismo]: «Nesta Revolução Francesa, tudo, até nos seus crimes mais espantosos, tudo foi previsto, meditado, constituído, resolvido, estatuído; tudo tem tido o efeito da mais profunda perversidade, pois que tudo foi preparado, conduzido por homens que tinham, sozinhos, o fio das conspirações há muito tempo tramadas dentro das sociedades secretas».

E uma vez mais o espírito demagógico do zeloso Barruel atribuía a Diderot, d’Alembert, Voltaire e a outros maçons, a inspiração da Revolução, incluindo, entre os cúmplices, d’Argenson, Choiseul, Malesherbes, Turgot e Necker. Nessa obra afirma ainda: «A conjuração visa, antes de tudo, destruir o Cristianismo».

Ora, para perceber os factos e encontrar a verdade devemos começar pelo contexto histórico:
A França do Antigo Regime era um país absolutista i. e., o rei governava com poderes absolutos controlando a economia, a justiça, a política e até mesmo a religião dos súbditos. Não existia qualquer tipo de democracia, e os opositores eram presos ou condenados à morte. O Terceiro Estado era formado pelos trabalhadores urbanos, camponeses e pequena burguesia comercial, que arcavam com a quase totalidade dos impostos que alimentavam uma nobreza ociosa e uma corte ofuscante. A vida dos trabalhadores e camponeses era de extrema miséria, o que suscitava um crescente mal-estar e o ardente desejo de melhorias. A pequena burguesia, mesmo tendo uma condição social melhor, desejava uma maior participação política e mais liberdade económica, a exemplo do que acontecia na Inglaterra. 

Para além de alguns aspectos estruturais, já referidos, analisemos com mais detalhe os aspectos conjunturais. Na década de 1780, a produção agrícola, base da economia francesa, ressentiu-se das severas condições climáticas, materializadas em más colheitas, com consequente aumento dos preços dos alimentos e ocorrência de fome e miséria para grande parte da população. Registou-se também uma crise na produção manufactureira resultante de um mau acordo com a Inglaterra, em que a França aceitou baixar os impostos sobre os produtos ingleses em troca de semelhante redução dos impostos sobre o vinho francês no mercado inglês; daí resultando muitas falências e aumento do desemprego. Outro factor considerável para o profundo descontentamento popular reside na crise política que atingiu a monarquia francesa, principalmente ligada ao aumento dos gastos da corte e ao custo das guerras em que a França se envolveu.  Perante este cenário o rei Luís XVI convocou os Estados Gerais para tentar resolver os problemas. Na abertura dos trabalhos da Assembleia, em Maio de 1789, o rei insistiu no voto por estados e que a Assembleia tratasse apenas das questões do deficit financeiro da monarquia e das medidas para combatê-lo. Face à insistência dos representantes do povo e da pequena burguesia – o Terceiro Estado –, na questão do voto individual, o rei decidiu abruptamente encerrar os trabalhos da Assembleia. Os deputados do Terceiro Estado saíram de Versalhes e dirigiram-se a Paris com a intenção de formar uma Assembleia Nacional e redigir uma constituição para a França. Luís XVI receando perder o domínio dos acontecimentos instou os demais estados (nobreza e clero) a participarem nessa nova assembleia. Porém, numa manifestação de força e de afirmação do poder real enviou tropas com o intuito de dispersar as manifestações populares que se verificavam em Paris. E este terá sido o rastilho que incendiou a população revoltada, que em 14 de Julho de 1789 invadiu a Bastilha, a prisão dos inimigos da monarquia e símbolo maior da repressão.

Analisemos, agora, o que foi a Revolução:
Não houve apenas uma mas quatro revoluções, entre 1789 e 1799; e cada uma delas consumiu a sua antecessora. A primeira revolução teve claramente um cunho aristocrático e constitucional, por um lado partidária do Duque D’Órleans (Grão-Mestre do GOF), por outro defensora de um sistema de monarquia constitucional com Luís XVI, segundo o modelo inglês, ou, preservando a monarquia, mas seguindo os passos do constitucionalismo liberal americano. A primeira Assembleia Constituinte saída da revolução integrava cerca de 200 maçons, num total de cerca de 1177 deputados - e por aqui se vê qual a expressão maçónica nesta importante instituição da Revolução. A segunda revolução, girondina, foi burguesa, defensora dos direitos da propriedade, monárquica e constitucionalista. Dos deputados da Assembleia girondina supõe-se que pouco mais de 200 fossem maçons, num total de 745. Vários chefes girondinos eram maçons, como Brissot, presumivelmente membro da loja Les Neuf Soeurs (As nove Irmãs), de que também fariam parte Danton e Desmoulins, os algozes de Brissot e do directório girondino, que os conduziram ao cadafalso. A terceira revolução, jacobina, também contou com maçons nas suas fileiras, homens como Georges-Jacques Danton e Maximilien Robespierre; ainda que este último não fosse muito devoto à Ordem sabe-se que frequentara na juventude a loja Hesdin. Mas nada disto, desta condição de fraternidade que une os maçons, fez com que se verificasse qualquer harmonia entre eles, até porque Hébert, Desmoulins e Danton, foram guilhotinados a mando de Robespierre. E na quarta Revolução, thermidoriana, coube a vez aos maçons Robespierre e Couthon, entre outros, de perderem a cabeça na guilhotina, de novo às mãos de revolucionários que também integravam alguns maçons como Collot d’Herbois e Barras, p. ex. Por conseguinte:
«(…) não se vislumbra possível um complot maçónico que traçasse um plano tão caótico quanto o foi a sucessão de acontecimentos da Revolução Francesa, nem se imagina que os homens que eventualmente tivessem delineado semelhante tragédia quisessem ser suas vítimas pela sua própria morte e pela morte de muitos dos seus amigos.»
In RUI A. “MAÇONARIA E REVOLUÇÃO” http://revolucaoemfranca.blogspot.pt/2011/06/maconaria-e-revolucao.html

Analisemos agora a origem desta tese que faz da Revolução uma produção maçónica. Ela é praticamente contemporânea dos primeiros acontecimentos revolucionários, e é devida ao Abade Lefranc que em 1792 publicou um livro intitulado “Conjuration contre la religion catholique et les souverains, dont le projet conçut en France doit s’exécuter dans l’Univers entier”, [Conspiração Contra a Religião Católica e os Soberanos, Cujo Projecto Concebido em França Deve Ser Executado em Todo o Mundo], onde atribui à Maçonaria a autoria da Revolução. Lefranc, executado nesse mesmo ano juntamente com quase duas centenas de outros clérigos, deixou a semente que iria ser largamente divulgada em toda a literatura anti-maçónica e anti-revolucionária, destacando-se nessa literatura o célebre livro [Memórias e Contributos para a História do Jacobinismo] do abade Barruel publicado em 1798. E foram principalmente estas obras que instituíram essa ideia da existência de uma conspiração tecida fora da França e que a toma de assalto visando o derrube das monarquias europeias; assim foi identificada a Franco-Maçonaria francesa, enquanto braço armado de uma sinistra Ordem dos Iluminados da Baviera.

É evidente que a Maçonaria não terá sido um elemento absolutamente neutro no curso dos acontecimentos, mas isso não faz dela agente destacado da Revolução. Constatemos os factos:
1 - A Maçonaria tinha, muito antes dos primeiros actos revolucionários, uma penetração efectiva na sociedade francesa, já que as primeiras lojas surgiram logo após 1717, ano da fundação da Grande Loja de Londres.
2 - Em 1735 eram inúmeras as lojas de origem inglesa e escocesa em França, ao ponto de ter sido proclamado um Grão-Mestre para este país (em Junho de 1738). Aí foi instituído o cargo de Grão-Mestre Geral e Perpétuo dos Maçons do Reino de França, e nele investido o Duque d’Antin, substituído depois da sua morte pelo Conde de Clermont, ao qual sucede, em 1772, o Duque d’Orléans, como Sereníssimo Grão-Mestre do então designado Grande Oriente de França.
3- Antes do começo da Revolução e até à fuga da aristocracia, a Maçonaria francesa era composta eminentemente pela aristocracia e pela alta burguesia, à qual se juntava um número considerável de padres católicos. A Maçonaria francesa não era, portanto, um redil de conjurados anti-monárquicos movidos pelo objectivo de destruir a nobreza e o clero e implantar uma república.
4 – Acerca do republicanismo dos primeiros revolucionários franceses, recorde-se que Desmoulins disse, pouco antes de morrer, que em 1789, na Tomada da Bastilha, os republicanos não seriam, em França, mais do que meia dúzia. A reforçar esta ausência de espírito republicano, sublinhe-se que o próprio Robespierre só se confessa republicano pouco antes da queda do Rei. Ou seja, o republicanismo de 1792 a 1794 não existia ainda no espírito dos revolucionários de 1789, menos ainda dos maçons dessa altura.

Agora já podemos compreender que a Maçonaria era, nesses tempos primevos da Revolução, uma instituição de convergência entre a aristocracia, a alta burguesia e o clero, na qual fervilhavam certamente ideias do iluminismo, mas não era uma organização que conspirava para derrubar o poder político e as ordens sociais em vigor que tantos dos seus membros integravam.
«Parece hoje inquestionável que, apoiado por homens como Mirebeau e De Laclos e, até - há quem o sustente - pelo próprio Danton, o Duque d’Orléans conspirou contra o rei seu primo e gastou nessa actuação uma verdadeira fortuna, ele que era o segundo maior proprietário do reino, imediatamente a seguir a Luís XVI. Estas eram, pelo menos, as suspeitas de Luís XVI (…) embora hoje se acredite que a sua participação no fomento do fervor revolucionário não teve a dimensão (…) que alguma historiografia lhe concedeu. É certo que ele foi Grão-Mestre do GOF, mas parece também que a sua proximidade à Maçonaria era mais honorífica e formal do que material. O verdadeiro administrador-geral do GOF foi, por esses tempos e até 1789, quando emigrou para Inglaterra na sequência dos primeiros acontecimentos revolucionários (e, nesse mesmo ano, para Lisboa, onde veio a morrer), o émigré Sigismond de Montemorency-Luxembourg, adversário declarado do Duque d´Orléans e fiel partidário da Monarquia (na melhor das hipóteses, Constitucional...), que queria ver protagonizada por Luís XVI e não pelo seu duvidoso primo.»
In RUI A. (obra citada)

Após a queda da monarquia a 10 de Agosto de 1792, o Duque D’Orleáns tornou-se uma figura patética, mormente como Citoyen Égalité. Caído em desgraça foi preso em Abril de 1793, durante o regime do Primeiro Terror e, e em desespero, tentou desmarcar-se do seu passado maçónico – o que demonstra bem a falta de consideração que a jovem República tinha pela Maçonaria –, publicando uma vergonhosa carta de contrição onde pedia desculpa por ter sido maçom; que não lhe serviu de nada pois a guilhotina decepou-lhe a cabeça em 6 de Novembro de 1793. E assim se conclui que os acontecimentos até 1789 ultrapassam qualquer conspiração da Maçonaria, ou de maçons, que pudesse ter sido traçada em prol das pretensões do Duque d’Orléans, a figura apresentada como a mais proeminente dessa maçonaria, pretensamente, mãe da Revolução.

Afigurando-se, agora, evidente que a Maçonaria não planificou a Revolução Francesa, porque tal era manifestamente impossível pela natureza da sua formação, bem como devido à extensa variedade dos interesses e das sensibilidades que integraram aquela acção revolucionária, resta a hipótese da maçonaria ter influenciado os amotinados através da divulgação das ideias revolucionárias. Porém, se parece certo que Diderot, Rousseau e o próprio Condorcet foram maçons, e se as lojas terão servido para fomentar a aproximação social e política entre a nobreza dominante e a burguesia emergente, a realidade mostra que esses elementos característicos de uma parte da Maçonaria actual não a influenciavam nesse tempo e foram adquiridos posteriormente.

E assim é, pois no começo da Revolução a maçonaria francesa era monárquica, uma vez que grande parte dos revolucionários admitia os valores do Ancien Régime, embora já existisse no seu seio um componente importante que perfilhava um reformismo constitucional - influência dos Estados Unidos que Lafayette trouxera e fizera imprimir em 1789 no texto da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, a qual evoca os valores da liberdade e da igualdade, do primado da lei, do direito da propriedade, da necessidade de contenção do poder soberano, da Constituição, da separação de poderes do Estado, etc. ideais provenientes mais do iluminismo inglês e escocês, do que do iluminismo francês:
«Por outro lado, os valores que mais tarde marcariam parte da Maçonaria francesa, como o anti-clericalismo e o jacobinismo republicano, não podem atribuir-se ao pensamento maçónico do tempo da Revolução. Voltaire, o grande filósofo anti-clerical, seria feito maçom a 7 de Março de 1778, menos de três meses antes de morrer. Voltaire, toda a vida anti-clerical e anti-católico, terá querido morrer católico (segundo o número de Abril de 1778 da revista francesa Correspondence Littéraire Philosophique et Critique, onde está publicada uma declaração do filósofo anunciando a sua conversão e a sua confissão a um padre católico, o Padre Gautier), pelo que não terá procurado a Maçonaria para a tentar influenciar com um anti-clericalismo que já não possuía, como alguns autores defendem, obviamente sem qualquer sustentação.»
In RUI A. (obra citada)

E para ajudar à perpetuação da lenda mirabolante, um pouco por toda a parte, maçons desavisados proclamam que a Revolução Francesa foi feita pela Maçonaria, inspirada na sua divisa LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE. Ora, repare-se que essa divisa foi adoptada pela IIª República em 1848, e só no ano seguinte pelo Grand Orient de France. Mas é evidente que esta partilha da mesma divisa também ajudou a alimentar a lenda que coloca os maçons como arquitectos da Revolução, lenda reforçada pelas obras publicadas no início do século XX, como a de Gustave Bord, La Franc-maçonnerie en France, que repete as teses fantasiosas da conjura maçónica veiculadas pelo seu grande arauto, o abade Barruel. Acresce, ainda, que no que toca ao plano religioso o ateísmo que alguma Maçonaria proclama hoje era inequivocamente rejeitado pelos maçons de então. Mesmo Robespierre tinha profundas convicções religiosas – tendo, até, atacado os herbertistas pelo facto destes se declararem ateus. Todos estes factos demonstram que a Revolução Francesa não foi urdida pela maçonaria.

Mas, então, a Maçonaria não possuía um ideal republicano?
Certamente que não, pois quando a República se implantou a maçonaria praticamente desapareceu e tal facto é compreensível já que a Ordem era defensora da Monarquia Constitucional e avessa a rupturas com os princípios da primeira Revolução. Aliás, Nicola Aslan no seu livro “História da Maçonaria”, assegura que no dia 17 de Julho de 1789, «numa recepção feita a Luis XVI, depois da tomada da Bastilha, os maçons, que lá estavam em grande número, fizeram a abóbada de aço sob a qual o rei, espantado e amedrontado, passou». Esse gesto, de respeito e apoio maçónico ao rei, desmente o jesuíta Barruel e reforça a convicção de que não foram os maçons que fizeram a Revolução e, muito menos, pretenderam destruir o Cristianismo.

Em Conclusão: A Revolução Francesa foi um marco importante na história da civilização. Proporcionou o fim do sistema absolutista e dos privilégios da nobreza e granjeou autonomia e direitos sociais para o povo. A vida dos trabalhadores, em geral, melhorou significativamente. Por outro lado, permitiu à burguesia o acesso à condução da sociedade garantindo o seu domínio político e social. Deve-se à Revolução Francesa o estabelecimento das bases da sociedade burguesa e capitalista, e também influenciou, com os seus ideais iluministas, a independência de muitos outros países, nomeadamente do continente americano, e alguma abertura de espírito nas sociedades europeias mais tradicionais e conservadoras.

Daqui se conclui, sem margem para dúvidas, que não é possível estabelecer com plena exactidão em que medida – quantidade, frequência e intensidade -, os maçons participaram na Revolução Francesa, embora seja inequívoco que dela fizeram parte, pois assim o testemunham inúmeros factos históricos, alguns dos quais referidos neste sintético trabalho. Porém, a Ordem Maçónica não passou de um protagonista, menor e silencioso, dessa revolução que mudou o Mundo, não obstante ter sido repetidamente maltratada por ela, ainda que a tenha influenciado em vários momentos através das ideias; ideias que, de resto, não eram originariamente suas, nem sequer partilhadas por todos os maçons.

Por isso, podemos afirmar que o contributo da Maçonaria na Revolução Francesa aconteceu a nível individual, e de modo nenhum como resultado de um plano previamente gizado. E também podemos dizer que uma parte importante da Maçonaria que hoje conhecemos foi influenciada pelos valores saídos da revolução, valores como a laicidade, o republicanismo e o igualitarismo. Ou seja, não foi a Maçonaria que mudou a França e o Mundo através de uma revolução, mas sim a Revolução Francesa que influenciou a Maçonaria, levando-a a ir mais longe nos seus ideais, já que materializou velhas aspirações libertárias e abriu caminho para trilhar novos percursos humanistas.



2015-03-28
H., M:. M:.
R:.L:. D:.P:. IV


2015/01/10

entrevista com o Grão-Mestre do G.O.L.

"Conversas com Vida" com Fernando Limadiarioeconomico
15 Dez 2014

clicar aqui para ver a entrevista


Maçonaria e registo de interesses

OPINIÃO
Maçonaria e registo de interesses
Por Francisco Teixeira
Professor do ensino secundário, Doutorado em Filosofia, Maçon
Jornal Público de  05/01/2015


O antimaçonismo da deputada do PSD Teresa Leal Coelho é, como todos os fundamentalismos antiliberais e antidemocráticos, disforme e ignorante e faz parte de uma longa tradição antimaçónica.

“A positividade da exposição da nudez sem véus é pornográfica”;
“O projeto heroico da transparência – de rasgar todos os véus, de tudo expor à luz, de expulsar toda a obscuridade – conduz à violência”.
Byung-Chul Han, A Sociedade da Transparência

A Maçonaria é uma ordem iniciática que visa o aperfeiçoamento da humanidade através da elevação moral e espiritual do indivíduo. Na medida em que é iniciática a maçonaria propõe-se, através do rito (articulação de gestos, movimentos, símbolos e invocações), a transformação existencial do indivíduo, transubstanciando-o. Algumas vezes consegue-o. Demasiadas vezes não.
Mas a “transubstanciação” existencial não é o único fito maçónico. A maçonaria também visa aperfeiçoar a Humanidade, porque o homem não é uma ilha e porque de pouco valeria salvar-se um só se não se pudessem salvar todos os seres humanos. Neste sentido, a maçonaria vive num duplo ethos ou espaço de ação e inspiração: por um lado visa a transformação individual (e não simplesmente psicológica), por outro visa a transformação social, porque o corpo e alma não são coisas diferentes mas duas modulações, ou variações, da mesma substância do humano. Mas, quer num caso quer noutro, o que se visa é uma ambição soteriológica, i.e., salvífica, do eu individual, da experiência do que é ser humano e da humanidade no seu conjunto. Mas a maçonaria não é uma Igreja ou um partido. Não é uma Igreja porque não tem uma doutrina dogmática, sacramentos ou um líder espiritual, e não é um partido porque não quer governar nem tem um programa político, embora tenha e tematize princípios meta-políticos de justiça e ética universais.
Por sua vez, a maçonaria usa o rito como método de ação. Mas a ação ritual maçónica é secreta. No entanto, este secretismo, “o segredo maçónico”, não constitui um instrumento de controlo sociológico ou organizacional, externo ou interno, muito menos um segredo material concreto. O segredo maçónico tem a ver com a natureza da própria experiência ritual, que exige pudor face ao olhar do não iniciado e concentração em si mesmo e na sua experiência ritual concreta, evitando, entre outras coisas, o desejo pornográfico e totalitário de absoluta transparência. Para a maçonaria o que é secreto é o que não pode ser reduzido a outra dimensão ou dimensões que não a sua dimensão originária, no caso a dimensão ritual simbólica. Ser secreto quer dizer, na experiência ritual maçónica, ser irredutível a outra coisa, ser esotérico, i.e., ser interior, ter origem e fazer caminho pelo lado de dentro da experiência humana. Por isso se diz que o segredo maçónico é inviolável ou intransmissível: porque dizendo respeito à experiencia particular de cada maçon não pode ser reduzido à linguagem usada pela vulgar comunicação humana (ou a outras categorizações totalizadoras e potencialmente totalitárias), não podendo, por natureza, ser violado.
Nada de especial, portanto. O segredo maçónico é, pois, da mesma natureza que o amor ou amizade humanas (dois irredutíveis fundamentais da experiência humana) e só constitui uma ameaça para aqueles que acham que toda a realidade deve ser controlada, reduzida, visibilizada e vigiada, incluindo a realidade mais íntima da experiência religiosa transformativa. O segredo maçónico é, então, condição essencial de liberdade, própria e alheia, já que se pressupõe que é num reduto último de inviolabilidade pessoal que reside o sanctum sanctorum da liberdade em geral. É por causa desta inviolabilidade que, desde sempre, as tiranias perseguiram a maçonaria e os maçons e a experiência religiosa e popular exotéricas (i.e., procedendo de uma origem ou audição externas) sempre tiveram desconfiança da maçonaria e dos seus processos de recolhimento.
A maçonaria existe, pois, num ethos eminentemente religioso, porque transformativo e soteriológico. Mas também existe e se firma num ethos político. Esta sua dupla dimensão constitutiva tem a ver, por um lado, com a sua origem histórica, mas, também, com a sua natureza ontológica, que recusa os dualismos cosmológico e antropológico. A maçonaria vive, por isso, num mundo de fronteira entre este e o outro mundo, entre o mundo celeste e o mundo terrestre, e é essa condição de fronteira que, por um lado, faz dela uma coisa algo estranha e, ao mesmo tempo, antiga, em que se valoriza a ideia e a prática do “estranhamento” cosmológico, a mais lídima forma, ou experiência, da liberdade e da recusa de todo o reducionismo.
Tudo isto a propósito de recentes polémicas animadas, em particular, pela deputada do PSD Teresa Leal Coelho, propondo que os deputados e os agentes políticos eleitos “sejam obrigados a declarar publicamente se têm ou não filiações secretas”, mas tendo em vista, declaradamente, as filiações maçónicas e do Opus Dei. Outras restrições aos direitos fundamentais deste mesmo tipo já tinham sido introduzidas na Lei Orgânica n.º 4/2014, de 13 de agosto - Lei-quadro do Sistema de Informações da República Portuguesa, pela qual os funcionários dos serviços de informações da República são obrigados a revelar todas as suas filiações societárias, em particular a “Filiação, participação ou desempenho de quaisquer funções em quaisquer entidades de natureza associativa”. Também aqui, e mais uma vez, o que se visa são os maçons e a maçonaria.
No entanto, a Constituição da República Portuguesa é clara (no seu artigo 41º, nº 3, “Liberdade de consciência, religião e culto”) a referir que “Ninguém pode ser perguntado por qualquer autoridade acerca das suas convicções ou prática religiosa, salvo para recolha de dados estatísticos não individualmente identificáveis, nem ser prejudicado por se recusar a responder”. Temos, então, que este artigo, e aqueles intentos similares referidos acima, são claramente contrários à CRP, porquanto o registo obrigatório de pertença à maçonaria, ou ao Opus Dei, constitui uma pergunta e obrigações constringentes quanto a convicções ou práticas religiosas.
Que esta discussão esteja a ter lugar no parlamento da República Portuguesa, potenciada por uma deputada do PSD, é absolutamente surpreendente e perigoso. Surpreendente e perigoso por revelar profunda ignorância sobre a natureza da maçonaria e outras organizações iniciáticas ou religiosas e, sobretudo, por revelar tentações totalitárias à conta de uma ideia
desviante de transparência, passando por cima de um princípio basilar das democracias constitucionais: o princípio da absoluta liberdade de consciência e de religião, sem constrangimentos diretos ou indiretos.
O antimaçonismo da deputada do PSD Teresa Leal Coelho é, como todos os fundamentalismos antiliberais e antidemocráticos, disforme e ignorante e faz parte de uma longa tradição antimaçónica (tão longa quanto a própria maçonaria). Quanto a isso, nada de novo. Já o silêncio de outras pessoas e instituições, mais cultas e mais responsáveis, auguram o pior para a liberdade dos portugueses. Pelo seu lado, a maçonaria continuará o seu caminho como via iniciática e espiritual não dogmática, visando a liberdade e a igualdade acima de todas as coisas, com os olhos postos na utopia antiga de uma fraternidade universal de homens livres e de bons costumes.


2015/01/08

da maçonaria sobre o atentado contra a revista Charlie

COMUNICADO

As obediências signatárias condenam vigorosamente o horrível atentado cometido ontem, dia 7 de Janeiro de 2015 em Paris, contra o Jornal Charlie Hebdo.
Os valores fundamentais da democracia foram postos em causa e os maçons reiteram o seu compromisso na defesa indefectível da total e absoluta liberdade de consciência, da liberdade de expressão, em particular a liberdade de imprensa.
Perante este crime hediondo, a Maçonaria portuguesa manifesta a sua solidariedade para com o povo francês.

Grande Oriente Lusitano
Grande Loja Legal de Portugal/GLRP
Grande Loja Feminina de Portugal
Federação Portuguesa da Ordem Maçónica Mixta Internacional «Le Droit Humain»

Grande Loja Simbólica de Portugal

2014/12/17

paradoxo entre mãos

É "de esquerda" ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado.

Luís Fernando Veríssimo

2014/11/24

tolerância e fraternidade

A complementaridade maçónica entre tolerância e fraternidade: a tolerância consiste em aceitar que existem imbecis entre os nossos irmãos, a fraternidade consiste em não dizer quem são.
Pierre Dac

2014/10/03

sobre a Carbonária

A historiografia da temática carbonária ficou mais rica com a edição desta obra:


«Carbonários e Outros Revolucionários resulta de uma investigação completamente inédita sobre esta temática, com uma visão geral da Carbonária Portuguesa e uma análise do caso da Carbonária Portimonense.»

2013/12/14

Religião e Espiritualidade


- Não existe apenas uma religião, mas centenas delas.
- Existe apenas uma espiritualidade.
- A religião é para os que dormem.
- A espiritualidade é para os que estão despertos.
- A religião é para os que necessitam que lhes digam o que fazer, os que não avançam sem o guia.
- A espiritualidade é para aqueles que escutam a sua voz interior.
- A religião não é mais do que um conjunto de dogmas.
- A espiritualidade convida a pensar em tudo, a questionar tudo.
- A religião postula a existência do pecado original e inculca o sentimento de culpa.
- A espiritualidade postula que com o erro também se aprende.
- A religião não é Deus.
- A espiritualidade é tudo; o que também incluí Deus.
- A religião inventa.
- A espiritualidade encontra.
- A religião é causa de divisões.
- A espiritualidade propõe a união.
- A religião segue os preceitos de um livro dito sagrado.
- A espiritualidade procura o sagrado em todos os livros.
- A religião prospera e alimenta-se dos medos.
- A espiritualidade alimenta-se da confiança.
- A religião é um pensamento vivo.
- A espiritualidade consiste em viver em consciência.
- A religião incide sobre o Fazer.
- A espiritualidade incide sobre o Ser.
- Religião é adoração.
- Espiritualidade é meditação.
- A religião propõe-nos sonhar com a glória num paraíso celestial.
- A espiritualidade propõe-nos viver a glória e o paraíso aqui e agora.
- A religião fecha a nossa mente.
- A espiritualidade liberta a nossa consciência.  
Se as religiões defendem a Paz porque é que não conseguem viver em Paz?

2013/11/29

António Arnaut disse


Chegámos a este ponto mais por culpa dos socialistas, dos social-democratas e democratas-cristãos do que propriamente dos neoliberais, acusou o ex-grão-mestre, que denunciou “os que passaram para o neoliberalismo, que se venderam”, como aconteceu os antigos governantes Tony Blair e Gerhard Schroeder, “que hoje são administradores de grandes empresas”.

Artigo completo aqui

2013/11/24

Reflexões



«O nosso problema é que nos tornámos todos emissores de verdades. A cacofonia atingiu coisas inaceitáveis, com uma incapacidade absoluta de distinguir o essencial do acessório. E isso não é só culpa dos meios de comunicação social. É culpa dos políticos. Eles são os grandes emissores. Se tivessem capacidade de distinguir o essencial do acessório não introduziriam tanto ruído, que depois é acompanhado pela comunicação social.»  “Sobre Portugal” - Sobrinho Simões -  entrevista em 2012

A ingenuidade, a aversão à dúvida, a temeridade no contradizer, a preguiça na busca pessoal, a fixação nos aspectos acessórios ou parciais, tudo isto e coisas semelhantes sempre impediram o enlace entre o entendimento humano e a natureza das coisas e remeteram o primeiro para conceitos vãos alicerçados em repetitivas e erráticas experiências ilusórias sobre a segunda.

Chegámos onde chegámos porque convertemos a opinião em esclarecimento, e a natureza em mero objecto. Convertemos o mito (assim qualifico a opinião irreflectida), em esclarecimento. E este esclarecimento comporta-se com as coisas como o ditador se comporta com os homens, só os conhece na medida em que pretende manipulá-los. A cultura contemporânea também não ajuda, pois confere a tudo um ar de semelhança. A televisão, o cinema, os jornais, constituem um sistema coerente de uniformização do Mundo.

Ora, a superioridade do Homem está no saber, porque o saber possui valores que nem os mais poderosos podem deter em exclusivo ou sobre as quais consigam impor a sua vontade. Mas para saber é necessário compreender, entender as coisas. É esse entendimento das coisas o vencedor da superstição e o percutor da libertação. O saber não conhece barreiras, nem sobre a escravização do indivíduo nem na condescendência com os donos do mundo.

Uma das lições que o nazismo nos ensinou é a de como é estúpido ser inteligente. Quantos não foram os argumentos bem fundamentados com que os judeus negaram as hipóteses de Hitler chegar ao poder?! E os “inteligentes”, que postularam a impossibilidade do Fascismo vingar no Ocidente, esses inteligentes que sempre facilitaram as coisas aos bárbaros?! São, pois, os juízos “bem informados e perspicazes”, geradores de prognósticos baseados em estatísticas e na experiência (empirismo versus razão), e de declarações que frequentemente começam com as palavras “ Ah… disso percebo eu, estou informado”, declarações de convicção (testemunhos de fé), conclusivas e sólidas, são esses juízos que são falsos. Hitler era contra o espírito e anti-humano. Mas existe um outro espírito que é também anti-humano, e reconhece-se pela sua proclamada superioridade “bem informada”. Estamos rodeados de tais espíritos.

A transformação da inteligência em estupidez é um fenómeno recorrente na História. Ser razoável significa que é imperioso respeitar a equivalência entre dar e tomar. Eis uma concepção da razão elaborada com base na troca, o pilar mais importante do mundo hodierno. Nesta perspectiva os fins só devem ser alcançados através da mediação, ou seja, através do mercado, graças à vantagem que o poder alcança praticando a regra do jogo: concessões em troca de concessões. Mas logo que o poder deixa de obedecer à regra do jogo e salta para a apropriação imediata, a inteligência é ultrapassada, atropelada, e em tal cenário o meio que sustenta a inteligência tradicional, a discussão, desaparece. Eis porque o jogo foi instituído como mediação universal, uma mediação que obriga as forças em confronto. No seu cerne, as relações entre povos ou grupos distintos são relações de contingência: a contingência entre alguém que detém algo que outrem necessita - assim o afirmava Agostinho da Silva. Mas este modelo também acarreia a mais gritante injustiça social. Eis o paradoxo da “estupidez da inteligência”.

Os homens são amistosos quando desejam alguma coisa dos mais fortes, mas brutais quando o solicitante é mais fraco do que eles. Tal é a chave para penetrar na essência do indivíduo em sociedade.

A conclusão de que o terror e a civilização são inseparáveis - conclusão tirada pelos conservadores -, é fundamentada. O que poderia levar os homens a desenvolver-se, de modo a tornarem-se capazes de elaborar positivamente estímulos complicados, se não sua própria evolução permeada de esforços e condicionada pela resistência externa? Primeiro, essa resistência motivadora encarna no pai, depois numa multiplicidade de indivíduos: o professor, o superior hierárquico, o cliente, o concorrente, os representantes dos poderes sociais e estatais; e é a brutalidade da acção desses inúmeros indivíduos sobre cada indivíduo que estimula a espontaneidade deste.

A possibilidade de temperar a intransigência, de substituir por reclusão os castigos sangrentos através dos quais a humanidade foi domada ao longo dos milénios, tudo isso parece um sonho. A coerção dissimulada é impotente. Foi sob o signo do carrasco que se realizou a evolução da cultura; negá-lo significa esbofetear a ciência e a lógica. Não se pode abolir o terror e conservar a civilização; eliminar o primeiro implica a dissolução da segunda. Os perigos residem nas extrapolações que daqui se podem construir: da adoração da barbárie nazi à busca de refúgio nos círculos do inferno.

O destino dos escravos da antiguidade foi o destino de todas as vítimas até aos modernos povos colonizados. A libertação do indivíduo europeu realizou-se em ligação com uma transformação geral da cultura que aprofundava cada vez mais a divisão à medida que diminuía a coerção física. O corpo explorado devia representar para os inferiores o que é mau, e o espírito, para o qual os outros (superiores) tinham o ócio necessário, devia representar o supremo bem. Este processo possibilitou à Europa realizar as suas mais sublimes criações culturais, mas o pressentimento do logro, que desde o início se foi revelando, reforçava ao mesmo tempo essa obscena maldade que é o amor-ódio pelo corpo, que permeia a mentalidade das massas ao longo dos séculos e que encontrou na linguagem de Lutero a sua mais autêntica expressão. Na relação do indivíduo com o corpo, o seu e o de outrem, a irracionalidade e a injustiça da dominação reaparecem como crueldade, que está tão afastada de uma relação compreensiva e de uma reflexão feliz, quanto a opressão em relação à liberdade.